Ideias organizadoras e mapas mentais
Organize o pensamento e melhore a qualidade de seus mapas
mentais
A questão de lidar com o excesso de informação se torna cada vez
mais importante. Uma das opções é organizar as informações, e mapas mentais são
uma ótima ferramenta para isso. Este artigo introduz dois conceitos-chave para
organizar informação e como mapas mentais podem ficar melhores com eles.
Ignorar esses conceitos pode fazer com que mapas mentais produzam efeitos
contrários aos desejados.
Este artigo contém sumários parciais na forma de slides, que
você pode usar para revisão rápida. No final está disponível um mapa mental
sumarizando as principais ideias (na página e para download).
Por Virgílio Vasconcelos Vilela
Desenvolvedor do EasyMapper - Editor e webmaster dos sites www.MapasMentais.com.br,
www.MindMapShop.com.br,
www.Possibilidades.com.br
- Autor do e-livro Modelos e Métodos para Usar Mapas Mentais.
Contato:
virgiliovv@uol.com.br
Introdução:
os excessos de informação
Opções
Ideias
organizadoras
Classificações
Ideias
organizadoras e mapas mentais
Usando
modelos de estrutura
Sumário
Recurso
Introdução: os excessos
de informação
Freqüentemente você se depara com uma grande quantidade de
coisas de algum tipo. Por exemplo:
- Você deve ter muitos livros, muitos CDs, talvez muitas
roupas.
- No disco do seu computador, há centenas de milhares de
arquivos, dos quais talvez milhares sejam seus.
- No seu programa de correio, milhares de mensagens, podendo
haver outros milhares se você tem uma conta de correio no trabalho.
- No supermercado, milhares de itens, dos quais você
eventualmente compra dezenas.

Além disso, ao executar certas atividades, você também pode
estar exposto e ter que lidar com grande quantidade de ideias:
- Ao assistir a uma aula, o professor pode introduzir muitos
novos conceitos.
- Ao elaborar uma tese ou monografia, você terá
dezenas de referências, sejam sites, sejam obras, que quando lidos
produzem centenas ou milhares de ideias com que você tem que trabalhar para
atingir seu objetivo.
- Se você exerce alguma liderança, pode estar às voltas com
uma multiplicidade de objetivos, pessoas, recursos, atividades e outros
elementos, que deve coordenar para as coisas funcionem minimamente bem.
- Em mapas mentais, pode-se ter muitos subtópicos para um
determinado tópico.

Se tivéssemos memória absoluta, muito bem: faríamos o
levantamento das coisas e pensaríamos o que fosse necessário sem precisar de
mais nada. Mas isso não é normal ou esperável; o fato é que temos limites
para o que conseguimos nos lembrar e pensar em um determinado momento.
Podemos nos lembrar facilmente de três itens que temos que comprar, mas não de
100. Esses limites geram o risco de esquecimento ou da não consideração: algo é
importante e está em nossa memória, mas não nos lembramos desse algo no momento
em que seria adequado ou oportuno.

Opções
Temos algumas opções para lidar com o excesso de informação. Uma
é filtrar a informação por relevância: de tudo que recebemos, apenas uma
parte é relevante para o que estamos fazendo e deve ser considerada.
Outra opção é a priorização: dentre o que é relevante,
avaliamos que algumas informações são mais importantes que outras e as
consideramos primeiro.
Uma terceira opção é a organização: definimos blocos
de informação para que possamos tratá-los em separado.

Ideias organizadoras
No caso de coisas concretas, como pratos e discos, o que
fazemos é agrupar os objetos segundo certos critérios e armazená-los de acordo.
Por exemplo, tudo que for roupa social fica naquela parte, o que for roupa
íntima naquela outra. Suas mensagens de correio relevantes o suficiente
para serem guardadas estão em pastas por pessoa ou por atividade, por exemplo.
Isso é o que é comumente chamado de organizar as coisas.

Para organizar coisas, usamos ideias como “roupas sociais”,
“Ciências Biológicas”, “Músicas”, “Vídeos”. Um livro terá partes, capítulos e
seções como elementos de organização, cada qual com seu nome. Um jornal terá
cadernos e seções, também com seus nomes. Cada uma dessas ideias que representa
o conjunto se chama de ideia organizadora. Quando você se refere a
“minhas roupas”, “minhas camisas”, minhas mensagens”, está usando uma ideia
organizadora, está tratando coisas concretas como um todo.

Ideias organizadoras têm assim estrutura de conjunto:
um contêiner com um conteúdo, que são os elementos (figura). O conjunto tem um
nome, que define um critério para inserção adequada de elementos. Por exemplo,
um planeta pode ser inserido propriamente nos conjuntos “Planetas” e “Objetos
cósmicos”, mas não cabem nos conjuntos “Plantas” ou “Minhas coisas”. O nome se
constitui em uma síntese das características que os elementos têm em comum.

Ideias organizadoras são abstratas, isto é, não
existem na realidade material, não se pode vê-las, senti-las, ouvi-las. No
entanto, há uma boa analogia com coisas dessa realidade. No cotidiano usamos certos
objetos para agrupar outros, como um clipe, uma caixa, uma sacola, uma
embalagem. Esses objetos organizadores são análogos às ideias
organizadoras; a diferença é que ideias organizadoras existem apenas na mente.
Com base nessa analogia, você pode pensar em ideias organizadoras como ideias-clipe
ou ideias-caixa.


Ideias organizadoras e a mente - Uma ideia
organizadora tem um efeito interessante no uso da nossa memória. Em geral,
palavras e outros símbolos funcionam como pistas de acesso; por exemplo, se eu
disser “Sua casa”, o efeito imediato é você se lembrar de onde você mora; isto
é parte do significado do termo para você. A propósito, o "não" não
faz diferença aqui. Por exemplo, "não pense em sua casa" resulta em
você pensar nela do mesmo jeito, porque a presença da pista é o fator
determinante. Nesse sentido, tampouco comandos como "pense" ou
"imagine" são necessários: "sua casa" já é o suficiente!
Uma ideia organizadora é uma pista que potencialmente atrai
várias outras ideias; por exemplo, para entender “As músicas no seu
computador”, você pensa no seu computador, no local ou locais onde guarda
arquivos de músicas e então nos arquivos, podendo até “executar” mentalmente
alguma delas. Se forem muitas, claro, nem todas virão. Teste esse efeito
observando o que vem à sua mente para entender o termo “Meus pratos
preferidos”. E com “Pessoas decisivas em minha história”?
Além disso,
podemos pensar com blocos de ideias e mesmo tomar decisões, como por exemplo
abrir uma loja de "autopeças" ou "roupas íntimas".

Classificações
Ideias organizadoras frequentemente ocorrem em conjuntos. Por exemplo, organizar suas roupas requer várias ideias organizadoras, como
“sociais”, “esportivas”, “de trabalho”, “íntimas”. O mesmo se aplica a seus
arquivos, e-mails, livros e discos. Um conjunto de ideias organizadoras
relacionadas é chamado de classificação. A ciência elabora
classificações para lidar com grandes quantidades, como a classificação dos
seres vivos. As seções de um site constituem uma classificação do seu conteúdo.
Você tem classificações nos seus armários, suas estantes, sua mesa, seu
computador. A tabela periódica dos elementos é um bom exemplo de classificação:

As classificações podem ter múltiplos níveis. Um armário de
roupas masculinas, por exemplo, pode ter na classe “Roupas sociais” as
subclasses “Camisas”, “Calças” e “Ternos”. A classificação dos seres vivos tem
inúmeros níveis. A matemática tem por exemplo a álgebra e a geometria; esta tem
a geometria analítica, a plana e a espacial.
A analogia com objetos vale também para classificação; uma
estante, por exemplo, além de compartimentos, pode ter um deste fechado, com
gavetas e outros compartimentos. Você talvez tenha uma mesa com gavetas, e cada
gaveta tem áreas que constituem uma classificação. Ok, algumas gavetas só têm a
classe “Vários”...
Sendo grupos ou conjuntos de elementos, classificações também
têm uma estrutura. Esta é geralmente hierárquica, como as pastas de um disco
rígido, mas há outras estruturas, como a da tabela periódica dos elementos.

Classificações e a memória - Vimos acima que ideias
organizadoras funcionam como pistas para acesso à memória. Sendo classificações
conjuntos de ideias organizadoras, quando usarmos uma, a memória será acessada
pelo conjunto, e vamos usar a estrutura de ideias como guia para localizar
informação. Por exemplo, suponha que você quer ouvir uma certa música, que está
em um arquivo e você não tem favorito ou lista que a inclua. Você provavelmente
vai partir da pasta Meus documentos, pensar na pasta Minhas músicas ou onde
quer que estejam e então procurar o arquivo pelo início do nome. Se houver
subpastas com o nome de cada músico ou banda – um nível adicional na classificação
– você usa o nome para filtrar mais a busca. Claro, se souber o nome.

Há várias questões importantes ligadas à elaboração de
classificações. Primeiro, um mesmo conjunto de elementos pode ser classificado
de várias maneiras; qual é a melhor? Além disso, uma classificação pode ter
maior ou menor qualidade. Por exemplo, a classificação pode não ter
lugar para todos os elementos; um elemento pode ser eventualmente classificado
em mais de um grupo.
Os problemas em classificações constituem anomalias,
que resultam em incertezas e confusão na mente do leitor. Por exemplo, uma
roupa branca pode ser classificada como social ou de trabalho: na hora de
buscá-la, onde está? Um site tem duas seções: Ecologia e Meio ambiente; parece
haver uma interseção de ideias, e os leitores podem ter dificuldades tanto na
hora de procurar algo quanto de lembrar onde estava algo que leu.

Ideias organizadoras e
mapas mentais
Mapas mentais representam informações e conhecimento, e assim
estão sujeitos a ficarem com muitos tópicos. Convém então organizá-los, seja
agrupando tópicos com uma ideia organizadora, seja elaborando uma classificação
para o todo do conteúdo. A maioria das classificações parece ser hierárquica; como
mapas mentais também têm estrutura hierárquica, mapas mentais constituem um
recurso natural para representar e trabalhar classificações com essa estrutura
em árvore.
Um exemplo. A figura abaixo mostra um trecho de um mapa
mental de possibilidades de prazer sensorial. Note que o título representa uma ideia
organizadora, assim como os tópicos do nível 1 e os subtópicos do tópico
“Gustativos”.


Esse mapa mental de fato é uma parte de outro, que inclui os
prazeres que podemos sentir, que, além dos gustativos, podem incluir
emocionais, como alegria, e subjetivos, como vencer e completar uma tarefa
(figura). Mapas mentais permitem para o mapeador pensar e trabalhar
produtivamente as classificações hierárquicas e para o leitor a recuperação
rápida, estruturada e integrada dos significados associados ao mapa mental.
De passagem, comprove um efeito das ideias organizadoras
mencionado anteriormente. Olhe para um tópico – por exemplo, “Olfativo” – e
note como ele lhe estimula a acessar sua memória.


Desta forma, trabalhar a organização de ideias passa a ser
uma atividade importante do processo de elaboração de mapas mentais. Em algum
momento poderemos ter que inserir ideias organizadoras ou revisá-las se já
existirem. Além disso, todas as questões de qualidade de ideias organizadoras podem
ocorrer em mapas mentais: uma classificação de baixa qualidade vai confundir o
leitor e dificultar a lembrança de seu conteúdo, a compreensão e o uso do mapa
mental. De fato, os riscos de não considerar a organização de ideias incluem
até seguir na direção contrária de uma das finalidades dos mapas mentais, que é
sumarizar e estruturar um conteúdo de forma a facilitar e dar produtividade à
assimilação e ao uso desse conteúdo.

Usando modelos de estrutura
Definir uma classificação de qualidade a partir do zero pode
consumir muito tempo. Assim, algo que pode acelerar sobremaneira a elaboração
de um mapa mental é encontrar uma classificação pronta ou pelo menos próxima da
desejada. Por exemplo, o mapa mental abaixo é uma classificação possível das
informações relevantes para um líder. Considere como seria chegar a essa
classificação – ou qualquer outra – sem nenhum ponto de partida. Se você for um
líder experiente, talvez chegue mais rapidamente, mas normalmente quem precisa
de se estruturar são os iniciantes, que via de regra não têm conteúdo
suficiente a ser classificado – no momento em que mais precisam.

Assim, tudo que mais podemos querer como mapeadores é
encontrar uma boa classificação para usar nos níveis organizadores de um mapa
mental. Foi com base nessa ideia que escrevemos o e-livro Modelos
e Métodos para Usar Mapas Mentais: propiciar modelos de estrutura de ideias
organizadoras para que um mapeador tenha um ponto de partida bem mais próximo
do destino. E considerando que ideias organizadoras não só blocam ideias como
também as atraem, um modelo de estrutura facilita também a recuperação de
conteúdo.
Sumário

Recurso
Mapa
mental do sumário para imprimir (pdf/zip, 349 KB)